9 propostas para o Brasil se tornar líder mundial em medicamentos fitoterápicos
16/03/2026
Apesar de ser um dos países mais ricos em biodiversidade, o Brasil tem uma participação inexpressiva no mercado global de medicamentos à base de plantas – 0,1% de um setor que movimentou US$ 216,4 bilhões em 2023.
Estudo realizado pelo Instituto Escolhas, através da Eretz.bio, aponta os principais entraves ao desenvolvimento do setor e apresenta nove propostas que podem levar o Brasil à liderança global no mercado de fitoterápicos.
O estudo reuniu entrevistas com especialistas de toda a cadeia, gestores públicos, indústria, prescritores e pesquisadores, além de uma revisão abrangente sobre regulação, mercado e políticas públicas. Esse trabalho construiu um diagnóstico sólido e multidimensional do setor.
A partir desse diagnóstico, foram estruturadas nove propostas estratégicas, abordando desde pesquisa e inovação até políticas industriais, formação médica e acesso.
O fortalecimento do setor de fitoterápicos pode representar uma estratégia transversal para o país, com potencial para reduzir custos no SUS, fomentar cadeias produtivas sustentáveis, estimular inovação nacional, gerar empregos e contribuir para a preservação da biodiversidade brasileira.
O relatório teve como propósito analisar por que o Brasil, mesmo sendo o país com a maior biodiversidade do mundo, ainda não ocupa uma posição de liderança na indústria global de fitoterápicos.
Parte-se do reconhecimento de que o mercado é real e crescente, com destaque para a Alemanha como principal referência internacional, apesar de sua biodiversidade limitada.
O estudo também indica que o Brasil já dispõe de uma base regulatória robusta, políticas públicas consolidadas e orçamento federal dedicado ao tema. No entanto, persistem desafios que precisam ser enfrentados para consolidar a fitoterapia como um setor estratégico, ampliando seu papel no desenvolvimento econômico, social e ambiental do país.
A seguir, são apresentadas recomendações e estratégias de ação elaboradas a partir das barreiras identificadas, que podem contribuir para transformar a biodiversidade brasileira em uma vantagem competitiva e ampliar o protagonismo do país no cenário global dos fitoterápicos.
9 propostas para o Brasil se tornar líder mundial dos medicamentos fitoterápicos:
1 – Integrar a descoberta de novas espécies vegetais ao desenvolvimento de medicamentos
O estudo aponta a necessidade de estruturar um pipeline contínuo que conecte a pesquisa experimental sobre plantas medicinais às etapas seguintes de desenvolvimento farmacêutico. Isso inclui estudos não clínicos, ensaios clínicos e registro sanitário, além de maior conexão entre universidades, centros de pesquisa e indústria para viabilizar transferência de tecnologia e produção em escala.
2 – Estimular estudos clínicos sobre fitoterápicos por meio de editais de fomento
A realização de ensaios clínicos é fundamental para comprovar a eficácia e a segurança dos fitoterápicos, mas envolve custos elevados. Por isso, o estudo propõe que o governo financie parte dessas pesquisas por meio de editais, compartilhando riscos com a indústria e fortalecendo a base científica necessária para ampliar o uso desses medicamentos.
3 – Utilizar os Laboratórios Farmacêuticos Oficiais para produção de fitoterápicos
Os Laboratórios Farmacêuticos Oficiais podem assumir um papel indutor na produção inicial de fitoterápicos prioritários para o SUS. Após essa etapa, a tecnologia poderia ser transferida para a iniciativa privada, demonstrando a viabilidade da produção em escala e estimulando o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional.
4 – Centralizar a compra de medicamentos fitoterápicos pelo Ministério da Saúde
A proposta prevê que o Ministério da Saúde realize compras centralizadas de fitoterápicos incluídos na lista oficial do SUS, distribuindo-os posteriormente a estados e municípios. Esse modelo garantiria fornecimento contínuo e padronizado, além de criar maior previsibilidade de demanda para a indústria.
5 – Incluir medicamentos fitoterápicos no Programa Farmácia Popular
O estudo também propõe que fitoterápicos industrializados e registrados na Anvisa passem a integrar o Programa Farmácia Popular. A medida ampliaria o acesso da população a esses tratamentos na atenção básica e, ao mesmo tempo, estimularia a produção nacional a partir do aumento da demanda.
6 – Estimular o uso de fitoterápicos em protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas
A inclusão de fitoterápicos em Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas e em recomendações do Conselho Federal de Medicina pode incentivar sua utilização como alternativa ou complemento terapêutico. Esses documentos orientam a prática dos profissionais de saúde e podem ampliar a confiança na prescrição desses medicamentos.
7 – Inserir disciplinas de fitoterapia nas graduações de medicina
O estudo sugere que o tema seja incorporado de forma estruturada à formação médica, com disciplinas obrigatórias sobre fitoterápicos. A medida fortaleceria a formação técnico-científica dos profissionais de saúde, estimulando o uso seguro desses medicamentos e ampliando o ambiente acadêmico de pesquisa na área.
8 – Criar uma coordenação da política industrial de fitoterápicos no MDIC
Para estruturar uma política industrial voltada ao setor, o estudo propõe que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio coordene ações governamentais relacionadas aos fitoterápicos. A iniciativa permitiria articular políticas de inovação, crédito produtivo e integração em cadeias globais de valor.
9 – Fortalecer as Farmácias Vivas
As Farmácias Vivas produzem medicamentos fitoterápicos localmente e podem ampliar o acesso da população a esses tratamentos. O estudo recomenda garantir financiamento contínuo e acesso a linhas de fomento e crédito, assegurando a sustentabilidade dessas iniciativas no longo prazo.
Acesse o estudo na íntegra no link: https://escolhas.org/wp-content/uploads/2026/02/Relatorio-tecnico-fitoterapicos-brasil-lideranca-mercado.pdf
